19 dezembro 2007

Revelação...

Fonte: http://www.valedoseulixo.com/

- Que foi? Você tá estranha.
- Né nada não.
- Mas você mudou de uma hora pra outra.
- Que nada...
- Foi o filme? Você não gostou?
- Não, adorei.
- Foi nosso primeiro filme juntos, né? Ainda vai ter mais um monte de primeiras coisas, já pensou que delícia?
- Pensei sim.
- Poxa, Teté, você mal tá conversando. Conta o que é.
- Nada... acho que preciso ir embora.
- Ir embora? Mas a gente não ia fazer um macarrão especial, abrir um vinho?
- Eu sei, amor, eu sei, desculpa. Mas tenho que ir.
- Peraí. Você achava que tinha que ir e agora já tá calçando a sandália pra sair?
- Não é nada com você.
- Ah, Teté, nem vem com esse clichê de o problema sou eu e não você.
- Júlio. Eu sou louca por você. Faz tempo que não sinto isso tudo por alguém, mas eu preciso ir. Se não consegue entender, pelo menos aceite, por favor.
- Poxa, agora vai ficar um climão.
- Amanhã eu volto, Júlio. Só tenho que ficar um pouco sozinha, sabe?
- Mas você tá aqui faz duas horas só.
- Me leva até a porta?
- Tá. Cadê meu chinelo?
- Vem descalço mesmo, tô com pressa.
- Pressa? Agora tá com pressa? Você tem outro compromisso?
- Caramba, Júlio, pára de pensar besteira.
- Mas o que é pra pensar? A gente estava abraçadinho, vendo filme, dando uns amassos bons e de repente você quer ir embora? Sinceramente eu...
- Merda.
- Teté.
- Não fala nada, não fala nada.
- Isso foi um pum, Teté? Você peidou?
- Não olha pra mim, sai de perto.
- Teté, pára de correr, volta aqui.
- Páááára. Não venha atrás.
- Tetezinha, isso tudo é porque você quer fazer cocô?
- Eu não faço cocô, não pra você.
- Teté, pára de correr, você vai fazer na calça desse jeito.
- Tá, tá. Parei. Era isso. Queria fazer cocô. Agora você sabe e a vizinhança toda também. Que vergonha.
- Meu amor, que bobagem. To com câimbra na bochecha de tanto rir.
- Ri... ri mesmo. Que situação... cocô não combina com começo de namoro. E eu ainda soltei pum, é o fim.
-Teté, eu também faço cocô, larga de ser boba. Talvez a gente pudesse ter adiado essas revelações, mas agora a merda tá feita. Ou quase.
-...quero enfiar a cabeça embaixo da terra.
- Oha pra mim. Você vai subir agora e fazer esse cocô lá no banheiro, tá?
- Tá... mas você fica longe? Não quero que escute nada.
- Juro. Vou ficar com a tv ligada, lá na sala.
- Tá... então eu vou.
- Me dá um abraço antes.
- Dou...
- Mas não peida não, hein?

5 comentários:

Anônimo disse...

Esileda, você me pregou uma peça com esse texto, hem? Fui lendo e pensando: - exatinho; coisas de mulher sádica, que gosta de provocar o "cabrinha" e depois, na hora do vuco-vuco corta o barato, ao argumento de que "preciso ir" e outras coisas banais... etc.

Mas não foi nada disso. O texto é maravilhoso, hilariante mesmo. Ri um bocado aqui no escritório, feito um bobo... OS outros colegas sempre se espantam...

Parabéns pela postagem muito bem escolhida.

BEIJOS

Esileda disse...

hihihi brigada eu tb ri um bocado com o texto!

Anônimo disse...

Somos todos comuns....rs. Hilário!

Anônimo disse...

Otimo texto... parabens pelo blog é muito bom... tenha um bom dia.

Anônimo disse...

Esileda, é tardinha, e eu passo só pra te dar um ÔI! de verdade. bjs.